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Luz sobre o Nāda Yoga

Durante muitos anos, tenho percebido uma interpretação limitada e confusa sobre a disciplina Nāda Yoga (Yoga do Som), tanto em relação ao “som” quanto em relação ao “Yoga”. Devido a esta situação, o meu trabalho docente teve como objetivo central fornecer clareza e ordem, que até certo ponto foram alcançados, apesar das fortes barreiras para a compreensão que as conclusões falsas sobre a disciplina trazem.


A história mostra que sempre houve erros e confusões no trabalho sonoro no âmbito do Yoga e disciplinas espirituais, mas nunca tanto quanto hoje. Portanto, considero necessário esclarecer certas questões que mostram erros grosseiros, cujo resultado, paradoxalmente, acaba sendo antagonista do objetivo do Yoga. Quando falamos de Nāda Yoga, nos referimos ao Yoga do Som ou Yoga através do som. Muito bem, todos entendemos isso. Mas o que a frase “Yoga do Som” realmente significa?


Esclarecer essas palavras nos ajudará a detectar onde cometemos erros de interpretação e, consequentemente, nos confundimos. Como sempre, o problema não é o nome, mas a interpretação superficial que fazemos dele. Portanto, o erro pode vir da primeira palavra, da segunda, ou de ambas. Para explicar isso, usarei o nome da nossa disciplina: NĀDA YOGA.

Vamos para a primeira palavra: Nāda, que em sânscrito é tradicionalmente traduzido como som, mas se refere mais a um fluxo, corrente ou rio de energia, do que a um som musical audível, e, portanto, está relacionado à palavra Nādi (palavra conhecida no Yoga que denota correntes energéticas do plano sutil). Por razões práticas e contextuais, Nāda é traduzido dessa maneira, e é aí que ocorre o primeiro erro. Naturalmente, um indivíduo, ao ouvir a palavra “som”, associa diretamente com as vibrações conhecidas, audíveis (que são percebidas com o ouvido físico), e com a música, para consumar a conclusão de que o Yoga do Som é o Yoga dos sons audíveis, um Yoga da música. Esta primeira interpretação errada contaminará sua compreensão da disciplina e será uma tentação para o ego. Claro que o Yoga do Som tem a ver com sons concretos e a música, mas seu alcance é muito maior. E aqui está o primeiro grande erro.


Quando usamos a palavra Nāda e traduzimos como som, devemos saber que seu significado se refere a todo o espectro vibratório / sonoro, que é composto pelos seguintes níveis: - Nível concreto (sons audíveis), chamado āhata nāda (vibrações que surgem como resultado do golpe de duas coisas juntas). - Nível sutil (sons não perceptíveis pelos sentidos físicos), chamados anāhata nāda (aquelas vibrações produzidas pelo fluxo natural de energia). - Nível causal, chamado parā nāda, literalmente a causa dos dois anteriores.


Tanto assim que uma verdadeira compreensão de Nāda leva a perceber o universo de sons concretos e música como canais de expressão de um universo vibratório sutil. Nesse sentido, Nāda Yoga se refere mais a um Yoga da vibração do que a um Yoga da música ou a um Yoga dos sons audíveis. Seguindo a resposta à questão, devemos reconhecer que o que diferencia um Nāda Yogi é, em parte, a compreensão correta da palavra Nāda. Essa é uma condição necessária, certamente, mas não suficiente, porque temos a outra metade da história, o objetivo final, o Para-Que, do Yoga.

Eu mencionei acima que o erro de interpretação em Nāda Yoga poderia ocorrer com a palavra Nāda, com a palavra Yoga ou com ambas. Bem, agora vamos ver quais erros cometemos ao interpretar o Yoga como algo que não é, ou como algo menor ao que é.


Vamos ver…o erro que é feito nesta fase é confundir o verdadeiro objetivo do Yoga com outra coisa. Sob a pressão da confusão, acreditamos que esse objetivo é o cultivo do corpo físico, a capacidade de fazer posturas acrobáticas, lidar com energias sutis, a conquista de poderes psíquicos, ter visões ou imagens determinadas, eliminar os pensamentos ou qualquer movimento mental, conhecer mantras de memória, melodias sutis. Em síntese, sempre confundi-lo com alguma ideia. Este é outro grande paradoxo porque, em nenhum caso, o objetivo final do Yoga poderia ser uma ideia, deveria ser a compreensão da realidade invariável, atemporal e onipresente.


Desde a antiguidade, muitos textos sobre Yoga foram escritos com variados sabores e cores, mas aqui eu quero esclarecer este conceito apenas em referência ao seu objetivo final. É comum dizer que o Yoga é união, mas o que isso significa exatamente? União do quê com o quê? Yoga significa unir o inferior com o superior, a mente externa (mente racional) com a mente interna (mente coração), unir o concreto com o sutil, o visível com o invisível, em suma unir a parte com o Todo. Esta união permitirá com que o indivíduo tenha vislumbres do que é a sua verdadeira natureza, cujo entendimento completo constitui a própria libertação.


Trazer luz sobre o Nāda Yoga nos ajudará a entender que esta disciplina é um processo (caminho) de crescimento individual, sustentado através do uso de todo o espectro vibratório (concreto, sutil e causal) em busca do conhecimento de si mesmo e a libertação, para finalmente tornar-se nada menos que um ser humano completo e integrado. *Texto composto por Marcelo de Aquino Vicente, diretor da Nāda Brahman Escuela Internacional de Nāda Yoga e Yoga Integral (Argentina).




Foto: Michelle Parron

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